Mediação

Um lugar de diálogo a três, para pessoas que estejam a atravessar um momento mais vulnerável e ajudar ambas as partes a expressarem-se e sentirem-se verdadeiramente ouvidas uma pela outra.

Estar na presença de alguém com espaço para ouvir

Nos nossos cursos e workshops é frequente ouvirmos a pergunta: “mas como fazemos se a outra pessoa não está capaz de ouvir e nós também ficarmos cansados, irritados ou frustrados”?

Como diz o nosso formador Yoram Mosenzon: "Um conflito acontece quando estão duas pessoas a tentar expressar-se e nenhuma delas está disponível para ouvir"

Esta dificuldade é inerente à nossa condição de seres humanos, com as nossas feridas e emoções, as nossas histórias e crenças. Aprender a comunicar de forma empática não nos torna super-heróis, apenas mais conscientes de como estamos a comunicar e com mais ferramentas para o fazer. E por isso também mais conscientes das situações e relações em que não estamos capazes de o fazer. E se das duas pessoas nenhum tem disponibilidade para escutar, uma forma de criar essa escuta é recorrer a uma terceira pessoa capaz de o fazer.

Mediação com Comunicação não violenta

Ao desenvolver a Comunicação Não Violenta (CNV), Marshall Rosenberg deu uma grande importância à mediação, não tanto como uma "negociação" entre diferentes partes em que ambas têm de ceder para se encontrarem, mas sim como um momento de encontro em que cada pessoa pode expressar as suas necessidades.

O papel do mediador é o de ver a importância e beleza das necessidades que se expressam por detrás das ideias e julgamentos de cada uma, e ajudar a que a outra pessoa possa escutar e acolher a mensagem a transmitir - este tempo de conexão entre todas as partes é indispensável para chegar a novos pedidos e acordos que vão de encontro às necessidades de ambos.

A partir do momento em que ambas as pessoas se sentem tocadas pelo que a outra pessoa está a viver, saímos de uma situação de OU Eu tenho o que quero OU Tu tens o que queres, para chegar a um lugar de busca conjunta: como é que podemos encontrar algo que vá de encontro às minhas necessidades E às tuas necessidades.

Para quem?

Parceiros íntimos, familiares, sócios e equipas de negócios, amigos, pais e filhos, etc.

Uma sessão de mediação pode ser uma forma de ouvir e ser ouvido e, situações de conflito, distância emocional, frustração acumulada, irritações diárias, dinâmicas de relacionamento repetitivas, mágoas que não desaparecem, dificuldades de comunicação, sentimentos recorrentes de raiva, culpa, etc.

Como funcionam?

Geralmente há um encontro individual com cada uma das pessoas que dura cerca de 30-45 minutos, para que o mediador possa ouvir em profundidade a forma como cada pessoa está a viver a situação.

Em seguida há um momento conjunto de 60-90 minutos, em que ambas as partes procuram expressar-se e ser ouvidas, com a ajuda do mediador que vai recebendo as mensagens de cada uma e ajudando a ir de encontro aos sentimentos e necessidades, que depois são reformulados pela pessoa que está a ouvir.

Este processo pode terminar de diferentes maneiras: nomear aprendizagens e descobertas sobre si ou a outra pessoa, algo que as marcou ao ouvirem ou serem ouvidas, expressar gratidão por algo que aconteceu, ou quando faz sentido procurar novos pedidos que vão de encontro às necessidades de ambas as pessoas.

“Os conflitos, mesmo os de longa duração, podem ser resolvidos se conseguirmos manter o fluxo de comunicação, no qual as pessoas saiam de suas cabeças e parem de se criticar e analisar; e em vez disso, entrem em contato com suas necessidades, ouçam as necessidades dos outros e percebam a interdependência que todos temos uns com os outros. Não podemos vencer às custas dos outros. Só podemos estar plenamente satisfeitos quando as necessidades da outra pessoa são atendidas, assim como as nossas.”

Marshall Rosenberg